Gestão e Food Service
Antes de cortar despesas para 2027, seu restaurante sabe onde está perdendo dinheiro?
04 de novembro de 2026

Com a pressão sobre os custos e as mudanças previstas pela reforma tributária, bares e restaurantes precisam ir além da contenção de gastos. Controle operacional, redução de desperdícios e gestão baseada em dados são caminhos para preservar a rentabilidade.
A chegada de 2027 tem levado empresas a rever seus planejamentos financeiros e buscar formas de controlar despesas. Com novas etapas da reforma tributária, reduzir gastos pode parecer o caminho mais imediato para proteger os resultados.
No setor de alimentação, porém, essa análise precisa ir além dos cortes. Para bares, restaurantes, cafeterias e pizzarias, uma parte importante das oportunidades de economia pode estar dentro da própria operação, nas compras, no estoque, na produção e nos processos que nem sempre recebem a atenção necessária. Antes de eliminar despesas, é preciso entender como o dinheiro está sendo utilizado.
O que considerar para 2027 • A pressão sobre os custos exige mais controle financeiro e operacional dos negócios de alimentação. • Desperdícios e falhas de processo podem comprometer a margem de lucro sem serem percebidos. • Fichas técnicas, controle de estoque e acompanhamento do CMV ajudam a identificar desvios. • Cortar despesas sem analisar os indicadores pode prejudicar a operação. • A reforma tributária torna ainda mais importante o planejamento financeiro para 2027. • Decisões baseadas em dados ajudam a direcionar recursos e preservar a rentabilidade.
Cenário exige atenção às margens
A pressão sobre os custos é um desafio constante para o Food Service. Os estabelecimentos precisam lidar com a oscilação dos preços dos insumos, despesas operacionais e consumidores cada vez mais atentos aos valores do cardápio.
Diante dessas dificuldades, um levantamento divulgado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), em outubro de 2026, mostra que 38% dos estabelecimentos pesquisados não conseguiram reajustar seus preços entre setembro de 2025 e agosto de 2026.
Quando os custos aumentam, mas os preços de venda permanecem os mesmos, a margem de lucro pode diminuir. Por isso, acompanhar os indicadores financeiros e operacionais deixa de ser apenas uma tarefa administrativa e passa a ser parte da estratégia do negócio.
Perdas que não aparecem no caixa
Nem todo desperdício é percebido imediatamente. Ingredientes descartados por vencimento, compras acima da demanda, produção excessiva e porções servidas fora do padrão são exemplos de situações que podem comprometer a rentabilidade.
O impacto fica ainda maior quando essas falhas se repetem diariamente. Imagine um restaurante que utiliza quantidades diferentes de ingredientes para preparar o mesmo prato. Sem fichas técnicas e padronização, o consumo de matéria-prima pode ultrapassar o previsto, elevando o Custo de Mercadoria Vendida (CMV).
Mesmo que o faturamento permaneça estável, o negócio pode estar gastando mais para entregar os mesmos produtos. É por isso que reduzir desperdícios exige conhecer a operação em detalhes, todo o caminho dos insumos até a mesa do cliente.
Oportunidades de economia
Algumas ferramentas ajudam a transformar a rotina operacional em informações úteis para a tomada de decisão:
• Fichas técnicas: definem ingredientes, quantidades, rendimento e custo de cada preparação, reduzindo variações durante a produção. • Controle de estoque: permite acompanhar entradas, saídas, validade e perdas de insumos. • Padronização de porções: evita o uso excessivo de matéria-prima e contribui para manter os custos previstos. • Planejamento de compras: alinha os pedidos à demanda, ao histórico de vendas e à capacidade de armazenamento. • Acompanhamento do CMV: ajuda a entender quanto da receita está sendo consumido pelos produtos comercializados.
O mais importante é que esses controles sejam acompanhados continuamente. Quando as informações são analisadas em conjunto, fica mais fácil identificar e corrigir problemas.
Reforma tributária 2027
A partir de 2027, a reforma tributária prevê a cobrança da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e a extinção do PIS e da Cofins, conforme o cronograma de transição. Para os negócios de alimentação, acompanhar essas mudanças e avaliar seus possíveis impactos será fundamental, considerando o regime tributário e a estrutura de custos de cada operação.
Mais do que cortar despesas, preparar o restaurante para 2027 exige conhecer os custos, identificar desperdícios e acompanhar indicadores. Com informações organizadas e processos padronizados, o gestor consegue tomar decisões mais seguras, otimizar recursos e preservar a rentabilidade. Afinal, muitas vezes, a economia começa quando o negócio identifica o que está perdendo.
